Monumento curioso que surpreende
ás vezes os turistas, que geralmente o imaginam bem maior,
Manneken-Pis é bem representativo da cidade de Bruxelas. Inusitado
e único no mundo, o Manneken-Pis é uma das principais atrações do
folclore de Bruxelas, junto com o desfile do Ommegang.
Mas todo monumento tem uma
história. Então vamos a ela.
No início, era somente uma fonte
como muitas outras, que alimentava a cidade em água potável. Ainda
não havia estátua nenhuma. Mas muito cedo, num texto datado de 1388, menciona-se uma
estátua de pedra no
local chamada “Petit Julien” (Julianekensborre) e não
temos idéia de como ela era. O nome de Manneken-Pis aparece pela
primeira vez num texto de 1451 que está conservado nos arquivos da
cidade de Bruxelas. O que nos faz pensar que já se tratava de um
menino se ‘aliviando”.
A estátua que conhecemos hoje é de
bronze e mede 61 cm de altura. Foi feita pelo escultor Jérôme
Duquesnoy “o antigo” em 1619, a pedido da
municipalidade de Bruxelas.
Mas nossa estátua passa por
aventuras e riscos. Por exemplo, durante o bombardeio da cidade
pelas tropas de Luis XIV, entre o dia 13 e 15
de agosto de 1695, tiveram
que retirá-la e colocá-la em local seguro. Ela foi recolocada no
lugar depois do bombardeio, no dia 19 de agosto. O nicho em que se
encontra hoje foi feito em 1770.
Foi no dia 1º de maio de 1698 que
o Principe-eleitor Maximiliano-Emanuel de Baviera, governador geral
dos Países-Baixos espanhóis, lhe oferece a primeira fantasia, de
cor “azul de Baviera”, de sua imensa coleção de trajes.
Desde então passou a receber roupas, uniformes ou fantasias de
vários cantos do mundo. A tal ponto que hoje possui mais de 800
trajes diferentes. Todos os trajes estão expostos no Museu de
Bruxelas.
A nossa estátua também foi vítima
de muitos atos de vandalismos. Em 1745 foi roubada pela primeira
vez por soldados ingleses. Dois anos mais tarde, foi roubada por um
granadeiro francês, para o desespero da população. O rei da França
Luis XV devolveu a estátua e ofereceu um traje de Marquês. Em 1817,
Antoine Lycas, ex-galeriano, foi marcado com ferro em brasa por ter
provocado danos à estátua.
Diante de tudo isso, o original
foi retirado e substituído por uma cópia em 1965. O original se
encontra protegido na “Maison Du Roi” (Casa do Rei).
Foi uma excelente iniciativa, já que a estátua, no decorrer do
século XX, foi alvo de mutilações e de tentativas de
roubo.
Hoje, Mannekem-Pis transformou-se numa figura de lenda, conhecida
mundialmente. Transformou-se na representação do humor bruxelense e
no símbolo da contestação e despreocupação que são característicos
do povo da capital da Bélgica. Além de símbolo de resistência às
múltiplas ocupações
estrangeiras e ao fanatismo.
Cavaleiro da Ordem de São Luis,
Brigadeiro de honra de vários regimentos, o mais
vel
ho morador de Bruxelas
recebeu também o título de “Primeiro Embaixador do Patrimônio
Folclórico e Cultural de Bruxelas”.
Os membros da “Ordem dos
Amigos de Manneken-Pis” o ajudam a desempenhar suas funções
de “Primeiro Embaixador”. Esta Ordem, que foi
fundada em 1954, cuida de
acolher bem os turistas que vêm visitar a célebre estátua.
Participam também dos eventos relativos à cultura de Bruxelas,
tanto na Bélgica quanto em outros países. Todos os anos também
organizam o cortejo de São Nicolau (Saint Nicolas) no início do mês
de dezembro.
Contam-se várias lendas referentes
ao surgimento da estátua. Vou contar duas delas, embora existam
mais...
Primeira lenda
Conta-se que Bruxelas fora sitiada
por um inimigo poderoso durante vários dias. Percebendo que a
cidade resistia, decidiram acender uma mecha com o objetivo de
incendiá-la no momento em que iam embora.
A população, feliz por livrar-se
dos inimigos, festejava pelas ruas.
Felizmente, um menino que passava
pela rua onde hoje está a fonte viu a mecha queimando e, apesar da
idade, entendeu o perigo que representava para a cidade. Como não
sabia onde encontrar água resolveu urinar na mecha que se apagou.
Algumas pessoas que passavam por ali viram o herói em pleno ato de
salvamento.
Em sua honra, construíram a
estátua reproduzindo o ato heróico do menino.
Segunda
lenda
Conta-se que
“Manneke-Pis” ou “Manneken-Pis” era o
pequeno príncipe Godofredo de cinco anos. Um dia, enquanto
caminhava numa procissão que ia ao encontro de um exército de
cruzados que voltava de Jerusalém, o menino parou na esquina onde
hoje se encontra a estátua para urinar. Mas o pequeno Godofredo se
perdeu da procissão, onde ninguém tinha notado sua
ausência.
Depois de uma hora, algumas
pessoas notaram a ausência do jovem príncipe e entraram em pânico.
Uma delegação voltou e acabou encontrando o príncipe no lugar em
que tinha urinado. Para comemorar este evento, resolveram colocar
uma estátua de um menino urinando na esquina em que foi
encontrado.
Comentários